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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Histórias de Resistência: Mãe Iara luta pelo respeito ao candomblé e preservação da Pedra de Xangô

Por: Camila Queiroz. Fonte e fotos: Ibahia.
Edição: Jorge Luiz da Silva
Salvador, BA (da redação Itinerante do Blog MUSIBOL)

Imagens: fbexternal-a.akamaihd.net

“Em todos os sentidos nós somos uma religião de resistência”, desabafa a religiosa, que está à frente da associação de terreiros


De fala firme, mas ao mesmo tempo tranquila, mãe Iara de Oxum abriu a porta de seu terreiro, Ilê Tomim Kiosise Ayo, localizado em Cajazeiras XI.
O nome do terreiro foi dado, segundo a mãe de santo, por Oxum e significa Casa das Águas da Felicidade. “E graças a Deus, todo mundo aqui é feliz, inclusive a mãe de santo”, disse sorrindo.
Hoje, mãe Iara de Oxum já tem 20 anos de casa aberta e tem 43 iniciados.

Com 46 anos, a ialorixá (ou zeladora, como se define) que nasceu em Salinas da Margarida, transmite através de seu sorriso o orgulho que tem de ser do candomblé e fala como esta religião pode ser considerada uma forma de resistência do povo negro na Bahia.

E não é só do seu terreiro que mãe Iara de Oxum toma conta.
Ela também está à frente da Associação Pássaros das Águas, que reúne de 15 a 20 terreiros de candomblé e promove atividades para o povo de santo e para a população de Cajazeiras, como o Barracão Negra Fashion, que trabalha a autoestima e a conscientização de adolescentes negros, e a Caminhada da Pedra de Xangô, cuja quinta edição acontece no dia 9 de fevereiro do ano que vem.


Ao falar de resistência, mãe Iara de Oxum é convicta: “em todos os sentidos nós somos uma religião de resistência”. Para isso, ela fala sobre o passado. “O negro veio de sua terra […], ele foi escravizado, ele foi para o tronco, ele tomava chicotada, ele foi proibido literalmente de exercer a sua religião dentro dos canaviais, dentro dos engenhos […] Foi imposto ao negro, ser batizado pela Igreja Católica. Mas mesmo assim, sendo chicoteado, ele botava o otá do santo dele debaixo da marquise, sempre escondendo dos senhores de engenho […], mas ele resistiu”, afirma.

Além de histórica, a resistência também acontece no dia a dia.
Para Mãe Iara de Oxum, o povo de santo resiste ao sair com os seus adereços, com as suas contas, mesmo quando há pessoas que torcem a boca e falam “tá amarrado em nome de Jesus”. Ela também cita a resistência a evangélicos que, segundo ela, batem na porta do terreiro de candomblé querendo evangelizá-los. “É o absurdo dos absurdos”, diz.

A discriminação, para a mãe de santo, é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos terreiros de candomblé.
Com um olhar profundo, ela fala que ainda existe nas escolas pessoas que apontam e falam “você é do candomblé” e que ainda sofrem intolerância religiosa.

Segundo mãe Iara de Oxum, ainda existe um receio dos filhos serem excluídos da escola e de uma sociedade que ainda tem esse preconceito. “A maior dificuldade hoje é a liberdade. A maior dificuldade que a gente tem é 'me respeite', sabe? […] Porque o financeiro toda religião tem [...] O preconceito, a discriminação, ainda é um dos nossos piores problemas”, desabafa.


A Pedra de Xangô
Quem passa pela avenida Assis Valente já deve ter se deparado com uma grande pedra, que tem uma árvore próximo ao seu topo.
Esta pedra tem um significado especial para o povo de santo.
Mãe Iara de Oxum fala sobre essa pedra no vídeo abaixo.
Segundo ela, um jogo de ifá apontou Xangô como o orixá dessa pedra, chamada atualmente de Pedra de Xangô ou Altar de Xangô.

Entretanto, quando foi construída a avenida Assis Valente, a qual foi inaugurada em 2005, a pedra ficou em evidência e surgiu o medo de que, com a especulação imobiliária, ela seja implodida.
Segundo a zeladora, a Caminhada da Pedra de Xangô surgiu com o propósito de pedir o tombamento do monumento, solicitação que já foi ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Confira o vídeo
Mãe Iara de Oxum - Especial Consciência Negra

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