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domingo, 8 de janeiro de 2017

A música natural de Lili

Texto: Antônio Carlos Miguel.
Fonte: G1.Globo.com
Fotos: Reprodução
Edição: Jorge Luiz da Silva
Salvador, BA (da redação itinerante do Blog MUSIBOL



Em meio à fornalha que tem sido o cotidiano desse início de janeiro, também pude conversar por telefone com a cantora e compositora Lili Araujo, reouvir seu trabalho e de parceiros - como Alegre Corrêa, genial compositor, violonista, cantor que o Brasil ignora. 

Lili fez um dos melhores discos de 2016, mas não botei “Bem natural” na minha lista, para o desalento de Daniel Achedjian, o belga que mais entende de música brasileira contemporânea no mundo:

“Olá, Antonio, fiquei surpreso que o disco de Lili Araujo não chamou sua atenção… Desde que o escuto, não consigo achar o ponto fraco…” , comentou/cobrou por mensagem Achedjian e, depois, pude confirmar seu entusiasmo por “Bem natural” ao checar o balanço de 2016 no site que edita, Tropicalia MPB: http://www.tropicalia.be/site/ .

Mas, como expliquei ao brazilianista belga, deixei “Bem natural” de fora pelo fato de ter feito o texto de divulgação. Mas, sim, é título que se destacou no ano que passou...

Em meados de 2008, fui um dos surpreendidos pelo disco solo de estreia de Lili Araujo, “Arribação”, numa MPB de pegada jazzística, com repertório quase todo inédito, dela ou de amigos. Quatro anos depois, manteve padrão com “Casa aberta”. E, antes de voltar com “Bem natural”, fez, em 2014, o disco “Passageiros” em parceria com Gustav Lundgren, guitarrista, violonista e compositor sueco apaixonado pela música brasileira. Procurada pela internet, Lili letrou quatro músicas de Lundgren, foi aprovada e fez mais oito. Mas só veio a conhecer pessoalmente o parceiro quando este veio ao Brasil para as sessões de estúdio de “Passageiros”.

Neta de portugueses, 34 anos, Lili conta que a música popular era artigo raro em sua casa. 

“Meu avô era flautista, mas ao chegar ao Rio, imigrante pobre, foi trabalhar como garçom, no Nova Capela (tradicional reduto de músicos e boêmios na Lapa carioca). Meu pai, matemático, só ouvia música clássica. Mas, tínhamos em casa um disco de Bituca (Milton Nascimento) e aquele do Chico com a samambaia na capa (o de 1978, com, entre outras, 'Feijoada completa', 'Pivete' e 'Homenagem ao malandro'), que eu ouvia sem parar”.

Referências que, como se ouve nesses quatro álbuns, deixaram marcas. Ainda criança, dizia que iria ser concertista e, num piano de brinquedo, tirava de ouvido as músicas. Aos 7 anos, a família passou um temporada em Paris e, por um ano, ela teve aulas de violino na escola. De volta ao Rio, aos 10 anos, ficou com o violão velho do pai e, seis anos depois, entrou para Escola Villa-Lobos, onde fez curso de flauta.

“Nessa época, via alguns amigos começando a compor. Até que, durante uma aula, um professor mostrou uma progressão harmônica que não poderia ser usada. Em casa, fiz uma música com tudo que não podia, mostrei para uma amiga, Kalu Coelho, ela gostou e me ajudou a completar. Levei para o professor, que foi obrigado a concordar que dava para usar a tal progressão”.

Aos 21 anos, após passar para o curso de música da Uni-Rio, Lili acabou trocando a faculdade por Viena, onde o então namorado tinha recebido uma bolsa para estudar violão clássico. Viagem que acabou tendo influência decisiva em sua carreira, ao conhecer na cidade austríaca o compositor e violonista Alegre Corrêa, gaúcho de Passo Fundo que passou duas décadas por lá, onde fez parte do grupo Syndicate, do tecladista Joe Zawinul (um dos fundadores do principal grupo do jazz fusion, Weather Report).

“Meu namorado estudava dez, 12 horas por dia e eu não aguentava mais ouvir aquilo. Daí, comecei a passar horas na casa de Alegre, que era nosso vizinho. Ele foi a minha melhor faculdade, quem me incentivou a compor mais, parceiro em meus dois primeiros discos”.

Com a ajuda de, entre outros,
Alegre (que, há cerca de seis anos voltou para o Brasil e agora vive em Florianópolis) e do guitarrista carioca Marcos Amorim, Lili gravou seu primeiro CD, “Arribação”, editado em 2008 na Europa (pelo selo de Alegre Correa) e no Brasil. Nesse mesmo ano, voltou ao Rio, onde, em 2012, lançou “Casa aberta”, este, em produção musical dividida com o violonista e guitarrista Daniel Santiago e a participação de instrumentistas como Rafael Barata (bateria), Guto Wirti (contrabaixo), Vitor Gonçalves (piano), Eduardo Neves (flauta) e a participação especial de João Donato (em “Não tem nada não”, de Donato, Eumir Deodato e Marcos Valle). 

Grande música brasileira, passando por samba e choro em pegada jazzística, que ganhou no encarte aplausos de Joyce Moreno: “Canções boas de serem ouvidas. Linda voz, madura e pronta para saborear as canções, com conhecimento de causa. A impressão que deixa, ao final de uma primeira audição, é de que ela sabe exatamente o que quer fazer - e faz.”

Agora, em “Bem natural”,
Lili assina sozinha letra e música das dez canções do disco, que foi produzido pelo baixista André Vasconcelos, também o arranjador de oito delas. Nas duas exceções, “Just me and you in Bahia” e “Verão", os arranjos ficaram nas mãos do saxofonista Henrique Band.

“Eu tinha pedido arranjos de sopros, em ‘Verão’, Henrique incluiu também um violoncelo e convidou Jaques Morelenbaum para gravar. Ele não me conhecia, mas gostou da música, adorou o arranjo e foi um amor”.

Jaques Morelenbaum gostou tanto que, agora, também é um dos convidados do show de lançamento. No palco do Sérgio Porto, Lili (voz e violão) será acompanhada por alguns dos instrumentistas que participaram das sessões no estúdio, incluindo Michael Ruzitschka (direção musical, violão e guitarras, este um austríaco radicado em São Paulo há 11 anos), Henrique Band (sopros), Rodrigo Tavaves (teclados) e ainda o baixista Rodrigo Villa.

Para aqueles que não se satisfazem com a sofrência sertaneja que assola o país, “Bem natural” é forte antídoto, solar e musical.



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