Por: Heloisa Cristaldo. Fonte: Agência
Brasil.
A partir do Censo 2010,
contabilizou-se que 16,2 milhões de pessoas viviam na extrema pobreza no
Brasil. Entretanto, o número foi revisto após a implementação do Cadastro Único
para Programas Sociais e a Busca Ativa, que localiza famílias extremamente
pobres e sem nenhum tipo de assistência social. A consolidação dos dados
apontou que, no final de 2012, existiam 22,1 milhões de brasileiros vivendo na
miséria. Desse total, 791.068 famílias foram localizadas por meio da busca
ativa e incluídas no Bolsa Família.
Fotos: jconline.ne10.uol.com.br.
/ portal.mec.gov.br
Serrinha, BA (da redação itinerante
do Blog MUSIBOL)
A ministra do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, voltou a destacar ontem (7) que
aproximadamente 700 mil famílias continuam na miséria e fora dos programas
sociais, ao participar do evento Diálogos Governo-Sociedade Civil: Plano Brasil
sem Miséria, no Palácio do Planalto. De acordo com último balanço do governo,
22 milhões de brasileiros deixaram a extrema pobreza desde junho de 2011,
quando foi lançado o Plano Brasil sem Miséria.
Para estabelecer a faixa
populacional que se encontra na miséria, são usados critérios, variáveis de um
país para outro. Além da baixa renda, são considerados insegurança alimentar e
nutricional, baixa escolaridade, pouca qualificação profissional, dificuldade
de inserção no mercado do trabalho, acesso precário à água, energia elétrica,
saúde e moradia.
No caso do Brasil, o governo
federal estipulou que o indivíduo com menos de R$ 70 (per capita) mensais está
em extrema pobreza. O valor foi estipulado durante a elaboração do Brasil sem
Miséria, após discussões com especialistas. Foram levados em conta três
referências.
A primeira foi o parâmetro
internacional de que uma pessoa necessita de, no mínimo, US$ 1,25 por dia para
viver, previsto dentro dos Objetivos do Milênio da Organização das Nações
Unidas (ONU). O segundo item de referência foram os resultados da Pesquisa de
Orçamento Familiar (POF), que mostram os gastos das famílias. Por fim, foram
considerados estudos, tanto nacionais quanto internacionais, que apontavam
valores semelhantes aos de R$ 70 por mês como linha de extrema pobreza.
Para o Banco Mundial, é considerada
pobre a pessoa que dispõe de até US$ 2 por dia para sobreviver, e extremamente
pobre, US$ 1,25. A União Europeia define como pobre quem ganha 50% ou 60% da
renda mediana, e extremamente pobre 40%. A linha foi estabelecida a partir do
rendimento do indíviduo, que indica também carência na educação, saúde,
alimentação.
“Um mesmo país pode ter mais de
uma linha [de extrema pobreza], como ocorre nos Estados Unidos. Em países
desenvolvidos, o valor referencial é muito mais alto para a linha que define a pobreza
e a miséria. Os países em desenvolvimento foram refinando esse parâmetro ao
longo do tempo”, explicou o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), Pedro Souza.
Diante desse cenário, o
pesquisador destaca que grande parte dos países recorre à assistência social
como forma de melhorar a situação das famílias. “Todos os países têm algum tipo
de programa para famílias muito pobres. Assistência social existe em todos os
países do mundo”, disse.
Com base no censo, foi possível saber
o perfil de quem vive na miséria. Mais da metade (59%) está na Região Nordeste
e 53% não têm acesso à rede de esgoto. No campo, 48% das casas não dispõem de
água encanada, poço ou nascente na propriedade. A maioria (71%) das pessoas é
negra (pretos e pardos), 26% são analfabetos (15 anos ou mais). Um em cada
quatro brasileiro que mora no meio rural se encontra em extrema pobreza
(25,5%). O MDS ressalva que o censo não é a ferramenta mais adequada para o
acompanhamento anual do plano, pois só voltará a ser feito em 2020.







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